O DIA DA LIBERDADE- ENTREVISTA COM ANA MARIA MARQUES

AUTORES
BEATRIZ SILVA (8.º E, n.º 2)
RITA PARENTE (8.º E, n.º 18)

O Dia da Liberdade é comemorado em Portugal a 25 de abril.
Foi no dia 25 de Abril de 1974, que ocorreu a revolução do 25 de Abril, também
conhecida como revolução dos cravos.
E foi nesta data que Portugal um país dominado por uma ditadura imposta após o
golpe militar de 28 de maio de 1926 iniciou um processo que viria a terminar com a
implantação de um regime democrático e com a entrada em vigor da nova Constituição a
25 de abril de 1976.


Sobre Ana Maria Marques
Ana Maria Goncalves Marques, engenheira civil, mãe, esposa e avó, nascida a 18 de
setembro de 1954 em Lisboa.
Tirou o curso do liceu em Lisboa (Liceu D. Pedro V), tendo a licenciatura de
Engenheira Civil, do Instituto Superior Técnico no período de 1976 a 1981.


Entrevista com Ana Maria Marques
BS e RP.: A Ana nasceu onde?
AM.: Em Lisboa.
BS e RP.: Qual é a sua profissão?
AM.: Atualmente sou reformada, mas exerci a profissão de engenheira civil durante 43
anos, como projetista e depois na Câmara Municipal de Portimão e mais tarde nas Águas
do Algarve (sempre em saneamento básico).
BS e RP.: Quais são os seus hobbies?
AM.: Atualmente, depois de reformada, leitura, as caminhadas, e a ginástica. Mas a
família sempre em primeiro plano.
BS e RP.: O seu agregado familiar tinha quantas pessoas na altura do 25 de Abril de
1974?
Ana Marques.: No 25 abril de 1974 – eu, pais,
avó paterna e 2 irmãos.

BS e RP.: Considera-se livre?
AM.: Atualmente sim.
BS e RP.: Vamos agora falar do 25 de Abril de
1974, período pré e pós-revolução. Sentiu na
sua infância algum nível de repressão da
ditadura que vigorava?
AM.: Desde que me lembro, sempre senti
repressão, não diretamente, mas na família e
amigos.
BS e RP.: Nessa altura sentia-se livre?
AM.: Não.
BS e RP.: Quantos anos tinha quando ocorreu a revolução? Onde vivia? Qual era a sua
atividade?
AM.: Tinha 19 anos, estava a repetir o 7º ano (atual 12º ano). Vivia em casa dos meus
pais, com o agregado familiar já referido em Lisboa.
Era trabalhadora estudante, visto que fiquei com a Filosofia do 12º ano, e trabalhava
como desenhadora numa empresa projetista de Saneamento Básico.
BS e RP.: Onde se encontrava no dia 25 de Abril de 1974?
AM.: Nessa madrugada estava em casa a dormir, em Lisboa.
BS e RP.: Como soube que tinha havido a revolução?
AM.: Um dos meus irmãos estava a terminar o curso de Medicina. Nessa madrugada,
tocou o telefone, era um amigo/colega dele do PCP a dizer que estava a haver uma
revolução, e pediam a todos os médicos e estudantes no último ano para irem para os
hospitais, porque não se sabia se haveria ou não reação do regime de Marcelo Caetano.
BS e RP.: Quais são as suas memórias sobre esse dia?
AM.: De manhã, fui para o trabalho, na Avenida da Liberdade, mas ninguém conseguiu
fazer nada, ficámos na janela a ver os tropas passar e a ouvir a rádio que ia atualizando o
que se estava a passar no país e mais concretamente em Lisboa.
BS e RP.: Como avalia o período de transição que se seguiu ao golpe militar de 1974?
AM.: Foi uma grande alegria para toda a população, finalmente era possível falar.
Até essa data, em minha casa o telefone estava sobre escuta da PIDE (por causa do
meu primo e do Ribeiro dos Santos). Tinha-se de ter cuidado com o que se dizia, porque
senão a PIDE vinha à nossa porta.
No liceu os contínuos eram “bufos” (informadores da PIDE), tinha-se de ter cuidado
com o que se dizia, nas casas de banho e nos recreios.
BS e RP.: Que impacto teve na sua vida? Sente que se não fosse a revolução teria a
liberdade de ter tirado um curso superior?
AM.: Teria tirado o curso superior, porque vivia em Lisboa. Não houve encargos de
estadia. Somos 3 irmãos e todos concluímos cursos superiores.
BS e RP.: Na sua opinião, o 25 de Abril foi bom para Portugal?

Fig. 2 Ana Marques, o antigamente (1976)


AM.: Considero que foi, dado que as pessoas passaram a ter liberdade para falar.
Tentou-se com reformas, tornar um Portugal mais justo, em termos de liberdade, de
acesso ao ensino, no apoio às pessoas mais carenciadas.


BS e RP.: Quais são as principais diferenças entre o antes e o depois do 25 de Abril?
AM.: A LIBERDADE E O NIVEL DE VIDA, ACESSO ÀS OPORTUNIDADES
Atualmente, quem não viveu antes do 25 de abril, não entende.
Era impossível até ao 25 de abril discordar de qualquer assunto.
Dialogar, falar abertamente, reunirmos na rua.
Antes do 25 de abril, se um grupo de amigos estivesse na rua a conversar, era normal
a polícia questionar o que estavam a fazer e a falar, e o mais certo eram ir parar à polícia
para interrogatório.
A pobreza em Portugal, principalmente fora de Lisboa, era extrema, obrigando
muitas famílias a emigrar para a Europa e províncias ultramarinas (Angola e
Moçambique, principalmente).
NÃO QUEIRAM VOLTAR AO ANTIGAMENTE. VIVA A LIBERDADE!!!

Portimão, 24 de Novembro de 2023.

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